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Mosquito da dengue completa ciclo em até 15 dias e pode nascer já contaminado, alerta Microbiologista de Barretos

Experimento mostra a velocidade de reprodução do Aedes Aegypti e reforça a urgência de eliminar focos antes que o mosquito chegue à fase adulta.

Atualizado em 25/11/2025 às 11:11, por Eloiza Fontes.

Close-up realista de um mosquito Aedes aegypti pousado na pele humana, mostrando suas listras brancas características nas pernas e no corpo. Ao lado, uma ilustração do ciclo de vida do inseto, com as etapas ovo, larva, pupa e mosquito adulto conectadas por setas.

Em Barretos e região, o alerta contra o Aedes Aegypti precisa ser constante, pois além da chegada do período de chuvas típico do fim de ano, tem um agravante que faz com que a preocupação aumente ainda mais: a rapidez do ciclo de vida do mosquito. Em um experimento simples realizado com água parada em um recipiente comum, foi possível observar todas as fases do inseto e comprovar a velocidade com que ele se desenvolve.

Segundo a Microbiologista e Professora de Biologia, Patrícia Amoroso de Andrade, o Aedes passa por quatro etapas: ovo, larva, pupa e fase aérea (mosquito adulto). E todo esse processo pode acontecer em 10 a 15 dias, rápido o suficiente para transformar qualquer descuido em um foco ativo de transmissão.

A partir de um único recipiente, vimos ovos, larvas, pupas e, em poucos dias, mosquitos adultos prontos para voar. É um ciclo muito acelerado

Patrícia Amoroso de Andrade

As larvas passam por quatro subfases, e a pupa, estágio que já se concentra na superfície da água, não precisa se alimentar: ela apenas respira e se prepara para se transformar em adulto. Em questão de horas, os primeiros mosquitos começam a emergir.

E o perigo vai além da velocidade. Cada fêmea é capaz de colocar 100 a 150 ovos por vez, aumentando rapidamente a população de mosquitos na área.

Mosquitos já podem nascer contaminados

Patrícia reforça um ponto que pouca gente sabe: há registros na literatura científica de que o Aedes aegypti pode transmitir o vírus para os seus descendentes.

“Se a fêmea estiver contaminada, ela pode passar o vírus para os ovos. Ou seja, o mosquito já nasce com potencial de transmitir dengue, Zika, Chikungunya ou Febre Amarela”, alerta.

Ele não precisa de água limpa — e nem só pica de dia

O experimento reforça outra informação essencial: o Aedes não precisa de água limpa para se reproduzir. Ele se desenvolve também em água suja, turva ou acumulada há dias.

Além disso, embora seja mais ativo durante o dia, o mosquito também pode picar à noite — comportamento já registrado em estudos recentes.

Como eliminar o mosquito antes que ele chegue à fase adulta

Para interromper o ciclo, o segredo é agir na fase aquática, eliminando ovos, larvas e pupas antes que se tornem mosquitos.

Patrícia orienta:

  • Inspecionar quintais e áreas externas semanalmente.
     
  • Esvaziar e virar recipientes que possam acumular água — desde tampinhas até baldes e pratos de vaso.
     
  • Em recipientes grandes, usar pastilhas de cloro, que matam as larvas.
     
  • Em pequenas quantidades de água, descartar larvas no solo seco, onde morrem por falta de umidade.
     
  • Evitar o uso indiscriminado de inseticidas e larvicidas devido ao impacto ambiental.
     

Prevenção é comunidade, não só casa

Patrícia ressalta que o combate ao Aedes aegypti não é individual — é coletivo.

Não adianta cuidar só da sua casa. É preciso olhar o entorno, conversar com vizinhos, observar terrenos baldios e denunciar focos. O mosquito aproveita qualquer oportunidade

Afirma Patrícia

Com a chegada dos períodos mais quentes e chuvosos, o risco aumenta — e a resposta precisa ser rápida.

No Realidade Interativa, seguimos acompanhando e informando para que Barretos e região enfrentem juntos a batalha contra o mosquito mais perigoso do país.